domingo, 16 de novembro de 2008

Cara desconhecida,

recebi sua cartinha, vou respondê-la como você me pediu, mas talvez não seja esta a resposta que escrevo agora. Seja algo mais compatível com sua idade e seus desejos. O que eu posso dizer? Mais do que purpurina e desenhos coloridos, eu vi um monte de sonhos, vi esperança num futuro que sabe lá nós como chegará. Só queria te dizer que continue assim: sonhando, planejando, esperançosa. O caminho não é fácil para quem sonha. Muitas vezes você vai se sentir cansada nesta jornada em prol daquilo que você acredita, mas você é bem jovem, pode e tem o direito de mudar de opinião quantas vezes você quiser. E mude sempre que achar necessário. Mude de escola, mude de casa, mude de sonho, mude de vida.
Você cita que gosta muito de estudar, mas não se limite apenas aos livros e ao quadro-negro. Há uma escola muito maior, cheia de desafios cujas questões não são de múltipla escolha e muito menos tem resposta correta. Ela chama-se vida. E ser repetente nesta escola não é motivo de vergonha, você sempre tem a oportunidade de aprender novas coisas. Ou não.
O Seu José e a Dona Cremilda preocupam-se muito contigo? Só não deixe que esta preocupação se transforme em sufocamento e nem deixe de ser quem você é para ser aquilo o que os outros esperam que você seja...
Apesar de achar que esta cartinha está mais endereçada para uma cara conhecida, vista todos os dias no espelho, saiba, querida remetente, que esta Mamãe Noel vai tentar não falhar contigo e de uma certa forma manter toda a magia do Natal acessa dentro de você.
Desejo que continue escrevendo cartas a desconhecidos cheias de purpurina e acreditando, tendo fé, que algum anônimo vai realizar o seu desejo. Seja uma boa menina. Sempre.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Pequenos Prazeres

Eu nunca pensei que passar mal ontem meio dia fosse a melhor coisa do dia. Não que passar mal seja uma boa coisa, mas foram ótimos os benefícios agregados.

Fazia muito tempo que eu não tinha uma tarde só para mim. Tarde de terça. Dormir algumas horas completamente nua numa cama confortável e enorme, tomar banho morno demorado, ouvindo rádio e fazendo espuma. Preparar café às 15h, sentir aquele cheiro invadir toda a casa, degustar cada gole esparramada no sofá. TV desligada, eu, a janela, o silêncio e o tempo.

Perder quase meio quilo e ficar desidratada não foi nada comparado ao imenso prazer da minha tarde. Minha. Sem a companhia de pai, mãe, telefones, chefes, clientes, nem dores nas costas. Somente eu e os prazeres simples da vida de uma tarde de terça-feira.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

2º Turno

O dia 26/10 para algumas pessoas foi a data da escolha final daquele que governará seus municípios nos próximos 04 anos. Para mim, além disto, foi aquela oportunidade que acontece nos períodos eleitoreiros para reencontrar colegas do jardim de infância que por casamento, melhora de vida ou tédio mesmo se mudaram do bairro onde nasceram. E não entenda reencontrar como uma coisa amistosa, daquela cheia de abraços, beijos e perguntas sobre se tudo vai bem. O reencontro é, digamos, através de olhares curiosos, meio de lado para não dar bandeira de que estamos medindo-os de cima a baixo. É estranho e curioso analisarmos no que se transformou o valentão da turma, a menina bonitinha paquerada por todos, o CDF que não dava cola e todos aqueles estereotipo que por algum tempo formaram o centro da sua vida. Vários anos depois, muita coisa mudou, ou talvez nada tenha mudado, depende do ponto de vista de cada um. Eu vi meninas que outrora eram fortes candidatas a Miss Mundo hoje mulheres descuidadas, carregando seus filhos como se fossem fardos. Incrível como as outras pessoas que eu admirava e queria ser quando "crescer", hoje são, nada mais, nada menos, do que aquilo que eu definitivamente não quero ser. Nesta dança da desilusão meu questionamento agora é: em quantos pontos percentuais estaria o meu ibope? Seria eu um candidato com velhas promessas não cumpridas, assim como alguns dos meus colegas de infância, ou uma esperança de novidade neste palanque da vida?

domingo, 12 de outubro de 2008

Perder-se Também é Caminho

Mais do que companhia constante, você sempre foi o equilibro, o apoio, o que me mantinha de pé e por muitos anos fomos assim: eu e você. Uma cumplicidade, uma simbiose, um jogo de interesse. Eu não caia, mas você não me deixava correr. Pergunto-me quando você surgiu, esta forma de apêndice que eu sempre tive medo do dia em que supuraria. Não me entenda mal, você me permitiu avanços, graças a você consegui andar por terras estrangeiras com segurança, mesmo que de forma superficial. Você foi o álibi contra o medo, a rede embaixo do trapézio neste nosso grande picadeiro. Eu que sonhava em correr pelos campos abertos como uma legítima sagitariana, sentir o frio na barriga de um mergulho do alto sem saber o que encontraria na chegada. Não, não, não... Havia sempre você, o mal necessário. Um mal quando não era mais necessário, quando eu não percebia que não precisava mais de você. Mas eu era acostumada ao seu peso, ao seu encaixe, mesmo que isto mudasse a minha forma, minha anatomia...

 

Eis que por sorte, por destino, por falta de opção ou sei lá o que, a gente entra em contato com as partes mais silenciosas da alma, aquela do grito interno, a que nos mata nos fazendo perder o medo do que é novo, daquilo que não se entende e se entrega por completo à desorientação. Esta desorientação que me tirou da sonsa e inquieta rotina de prisioneira criando a coragem infantil de perder-me a ponto de te abandonar.  Adeus 3ª perna. Ficamos por aqui. Agora somos eu, o mundo e o desconhecido.

 

Apesar de não saber o que fazer com a aterradora liberdade que sinto, uma coisa é certa: a gente não avança sem deixar um monte de coisa para trás.



terça-feira, 30 de setembro de 2008

Aprendendo a viver bem...

... com as coisas que não se tem.



terça-feira, 23 de setembro de 2008

Refletindo com Rabuga



Sobre aquilo que queremos

Sempre aprendi na escola que a pirâmide de Maslow representava os níveis hierárquicos dos desejos dos seres humanos e estes vinham num crescente desde a base até o topo. O homem primeiro deveria satisfazer suas necessidades fisiológicas até atingir a realização pessoal. Hoje já existem outras pirâmides, outras teorias, outros conceitos que contestam (e com razão) Maslow. Eu que nunca fui estudiosa deste departamento e por isto mesmo sempre apostei na minha intuição, nunca acreditei na tal pirâmide simplesmente pelas coisas que eu queria, pelas coisas que eu sentia e tudo aquilo estava mais para uma massa de bolo do que para uma pirâmide.

 

E ontem conversando com uma amiga sobre o que queremos ou saber o que queremos, fiquei um tempo pensando depois da conversa e a questão é: já vi diversas pessoas falando que já sabem o que não querem da vida, como se tudo se resumisse a um jogo de exclusão. “Isto não, isto também não, já provei isto e não gostei”. Mas porque será que saber o que se quer é tão difícil? E vou mais além, porque precisamos saber o que queremos? É uma cobrança nossa? É uma cobrança da sociedade? Só seremos felizes de fato se soubermos? Não podemos querer muitas coisas em alguns momentos e em outros não querer absolutamente nada e mesmo assim estarmos bem?

 

Falando por mim, o que posso dizer é que eu sempre sonhei com portas que eu nunca alcançava e quando eu as conseguia abrir não havia nada do outro lado, uma busca sem fim atrás de algo que eu não fazia idéia do que seria. Às vezes me questionava se eu vivia numa frase de Clarice: “o que eu desejo ainda não tem nome” e este tipo de coisa me roubava muitas horas de sono levando-me a tentar me encaixar em algum cantinho apenas para não me sentir parte da Legião Estrangeira. De qualquer forma, hoje eu sei o que estava lá atrás daquelas portas, não sei se é exatamente aquilo que eu quero ou que eu sei que quero, mas é algo que me impulsiona, mas acima de tudo é algo que me faz bem e me faz feliz.

 

Estarmos bem deve ser sempre a base, o meio e topo da nossa tabela de Maslow. E isto vale para quem sabe o quer e para quem não sabe também. E deve bastar.