quarta-feira, 18 de março de 2009

Perdi as contas de quantas vezes já disse que a arte tem o poder de me transportar para outros mundos, mas há algumas em particular que tem a capacidade de nos trazer um pouco para o mundo real ou pelo menos dar cutucadas em feridas mal cicatrizadas.

“Foi Apenas Um Sonho” desempenhou bem este papel, assim como “Vicky Cristina Barcelona” no carnaval e eu achando que a temporada de socos no estômago havia terminado.

De qualquer forma, ser trazida à realidade, também é uma forma de salvação.

terça-feira, 17 de março de 2009

Salve Nina Simone...


... aquela que me salva dos dias iguais, das conversas banais e do tédio entre 7h30 às 17h18.
Amém.



"My baby don't care for shows
My baby don't care for clothes
My baby just cares for me
My baby don't care for cars and races
My baby don't care for high-tone places

Liz Taylor is not his style
And even Lana Turner's smile
Is somethin' he can't see
My baby don't care who knows
My baby just cares for me..."

domingo, 8 de março de 2009

Coleção

Recentemente terminei de ler um livro cujo personagem principal era um colecionador inveterado. Terminava uma coleção e já começava outra. Até que sua vida desmoronou ao perdeu um concurso de colecionadores quando dava por certo sua vitória com o button da campanha para eleições primárias de Richard Nixon em 1960. Perdeu para o button da campanha eleitoral para a chefia do Sgt. Pepper Lonely Hearts Club Band.

Assim, depressivo, tentou o suicídio. Não conseguindo o seu intento, o personagem decidiu ir para uma clínica de recuperação de colecionadores. Saiu de lá recuperado, tempos depois conheceu uma mulher e casaram-se. A vida parecia em ordem quando num belo dia de sol, a esposa decidiu limpar os vidros sujos da sala. A cena da mulher em cima da escada, passando produtos de limpeza em um vidro imundo trouxe à tona toda aquela rotina de colecionador: a euforia, a ansiedade e o desejo de guardar e manter aquele momento. Foi então que ele resolveu instalar uma câmera escondida para registrar e posteriormente guardar aqueles momentos.
Foi a partir disto que eu comecei a pensar nos momentos que eu gosto de colecionar, que ao contrário de uma câmera de vídeo, eu registro aqui na mente e no coração, aqueles momentos que adoro rever, rever, rever, principalmente ao vivo e acredito que desta “patologia” eu jamais queira me curar.

- Gargalhada alta e debochada da minha sobrinha;
- O vento frio das 7h de São Paulo;
- O calor das 7h de Salvador;
- Do cheiro amadeirado;
- Da sensação de deitar-me no osso pontiagudo da bacia da minha mãe quando criança;
- Arder de desejo;
- As pessoas girando de emoção;
- Olhos brilhantes;
- Viajar para outro mundo através das artes;
- Viajar para outros mundos através das minhas pessoas;
...

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Departure

Mas eu sempre volto. Cada vez mais breve.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Afago na alma

Hoje eu finalmente te beijei novamente. Depois de anos (que eu nem lembro quantos), te abracei e te beijei como já tive vontade de fazer inúmeras vezes. Tudo bem que havia o alibi de ser um afago de "boa viagem" e que você meio sem graça, sem esperar, não retribuiu o abraço dizendo que estava com as mãos molhadas, mas enfim, a verdade é que conseguir dar o meu passo. Espero que você consiga dar o seu em breve mãe.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Telefonema da tarde

Hoje eu senti uma emoção que eu nem sabia que existia. É você nutrir um carinho, uma afeição grande por alguém que você conhece devido ao amor que alguém devota a ela. É você imaginar o que tanta faz os olhos da pessoa brilhar enquanto fala sobre ela, enquanto gesticula, é ser agradecida pelo bem que ela faz à pessoa que você conhece e quer bem.
Pois bem, hoje eu tive a oportunidade de dizer a este alguém, que apesar de desconhecido, sempre foi próximo, pelas fotografias, pelas horas de histórias contadas e pude dizer a ela do amor das suas pessoas, do querer bem que comecei a sentir e do quanto eu tinha vontade de “conhecê-la” para deixar de ser uma pessoa de fotografias e histórias, para ser, pelo menos, mais uma pessoa a externalizar carinho e apoio.
Minha voz começou a embargar quando comecei a falar sobre uma das vezes que ouvir falar sobre ela. Fui redundante ao citar o quanto ela era amada pelos seus e ouvi uma resposta que encheu meus olhos de lágrimas: “nossa relação é de alma”.
E se é verdade que os olhos são o espelho da alma, eu entendo o porquê dos olhos da minha amiga brilharem tanto quando fala da sua tia amada.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

A arte de perder

The art of losing isn't hard to master;
so many things seem filled with the intent
to be lost that their loss is no disaster.

Lose something every day. Accept the fluster
of lost door keys, the hour badly spent.
The art of losing isn't hard to master.

Then practice losing farther, losing faster:
places, and names, and where it was you meant
to travel. None of these will bring disaster.

I lost my mother's watch. And look! my last, or
next-to-last, of three loved houses went.
The art of losing isn't hard to master.

I lost two cities, lovely ones. And, vaster,
some realms I owned, two rivers, a continent.
I miss them, but it wasn't a disaster.

-Even losing you (the joking voice, a gesture
I love) I shan't have lied. It's evident
the art of losing's not too hard to master
though it may look like (Write it!) like disaster.

Elizabeth Bishop


Sempre achei interessante este poema. Talvez a razão disto seja o fato de me levar a pensar que perder (ou melhor, lidar com perdas) seja uma arte.

Lembro-me que disse semana passada que aprender a viver com aquilo que se tem e aquilo que não se tem, não é necessariamente viver feliz, mas, de certa forma, viver em paz. Acho este final de semana foi meio assim, aprendizado sobre a arte de perder e também sobre a arte de ganhar.