segunda-feira, 3 de junho de 2013

Post-it

Quem as minhas carências não se sobreponham às minhas convicções.

sábado, 25 de maio de 2013

Não Se Parte sem Avisar...



Esta semana um membro da minha família decidiu que era hora de deixar de viver. Não sei quais demônios o atormentavam, mas hoje isto é o que menos importa. Desde que soube da notícia não foi exatamente nele que passei a pensar, nem nos porquês, mas vira e mexe me pego pensando naqueles que ficaram.

Penso como cada um de nós passou a semana processando a informação, pois apesar de tudo, as outras vidas devem seguir. Não é assim? Pois bem, pensei na minha mãe sozinha em casa lá em Salvador que me disse ter dito uma crise de choro, mas que depois “passou”. Penso no meu primo que desta vez não estava lá, que desta vez não conseguiu convencê-lo a ficar mais alguns momentos entre nós. Penso na minha tia, na dor de uma mãe em ver o filho ir antes dela e naquelas circunstâncias... Não consigo dimensionar o que ela está sentindo e nem quero ter esta pretensão, mal consigo nomear o que se passa dentro de mim.

E é ai que paro para pensar em mim, desde terça às duas e meia da tarde quando soube. Penso em todos os sentimentos que habitaram o meu coração, a minha alma. O nó na garganta que tratei de engolir até a hora de deixar o trabalho e vir para casa. Foram três horas contendo uma louca vontade de sair andando sem rumo. Não era uma vontade de correr, de gritar, era apenas uma vontade de me entregar à desorientação, de sair por ai, reoxigenar, deixar a concentração de lado e me permitir sentir o soco no estômago, o vazio que só veio me visitar durante as madrugadas, me roubando aquilo, que quem me conhece sabe, me faz uma excelente companhia, o sono.

Durante estas horas acordada, fiquei pensando que nem éramos tão próximos assim, ele é filho da minha tia que foi casada com o irmão da minha mãe. E mais, a última vez que o vi foi há quase um ano atrás. No aniversário da minha mãe. Mas e daí? Criar este subterfúgio do distanciamento para tentar me convencer de que eu não deveria sentir o que sinto, só me fez ficar pior... Lembrei dele sorrindo no aniversário, reclamando dos políticos, conversando com o meu pai, achando uma delícia aqueles petiscos deliciosos e gordurosos que a gente se empanturra em aniversários. Lembrei que em algum lugar existe uma fotografia deste aniversário e ele está nela.

Este ano não haverá fotografia, muito menos aniversário. Mas estarei lá daqui 15 dias, olhando para minha mãe, sem saber como dizer: “pode chorar mais, eu sei que ainda não passou”. Vou olhar para o meu primo sabendo que ele não se conforma e que ele sim, ao contrário de mim, soube pôr para fora tudo o que estava preso e ao invés de dizer “você fez tudo o que pôde”, vou perguntar o que ele achou da nova camisa do Flamengo.  Para a minha tia quero apenas não conseguir falar nada, será a melhor forma de respeito, dedicar o meu silêncio pela incompreensão e deixá-la sofrer em paz, sem precisar usar a minha polidez, a minha educação e dizer algo que soe como um sinto muito. Acho que ninguém sente o suficiente...

E hoje, dentro da minha completa falta de habilidade em consolar qualquer pessoa, inclusive a mim mesma, me senti confortada e mais uma vez pelas manifestações artísticas, o meu lugar favorito, onde sempre que preciso encontro refúgio e paz, nem que seja por alguns minutos. E foi depois de assistir a Monsieur Lazhar que percebi que precisava deixar sair tudo o está aqui dentro. Esta é a forma que sei fazer: escrever. Sim, da minha forma confusa, entrecortada, mas que é a maneira que muitas coisas que não compreendo acabam fazendo um pouco de sentido.

Que ele descanse em paz. Que eu descanse em paz. Que todos nós descansemos em paz.  

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Latejando...

a imensa vontade de voltar a usar isto, ainda que fora de forma, de maneira desconexa e dizendo coisas que só fazem sentido na minha cabeça...

sábado, 7 de abril de 2012

Daquilo que sou feita

Foi em você que me agarrei. Você sabe. De todos os subterfúgios que precisei usar para manter o resto de sanidade, enquanto o corpo andava insano, você sempre foi o mais lindo. O mais improvável. Imaginar terras bem distantes, de um lugar que aparentemente pouco tinha a ver comigo, mas que algo lá no fundo, nas minhas noites de angustias, de insônias e de pesadelos, dizia que o mundo não é era tão grande. Somos assim, subversivas, canhotas, gostamos do diferente, de mudar a ordem das coisas, porque somos independentes. Quebramos a cara. Muito e sempre. Pagamos o preço por viver da forma que acreditamos, sem deixar que o peso da opinião alheia seja maior do que a nossa própria vontade. Vai ver é por isto que gostamos tanto das nossas rodas-gigantes particulares. Já estivemos muitas vezes por baixo. E hoje, my dear, é tempo de estarmos lá no alto, vendo o mundo de uma nova perspectiva, através dos nossos olhos caleidoscópicos.

Só hoje me dei conta que estamos no período da ressurreição. Irônico para alguém que esteve morta por tantos anos e resolveu viver. Transformei você na minha estrada de tijolos dourados. Aquela por onde eu caminhava todas as noites com os meus sapatinhos vermelhos. Foi um longo caminho. Bem logo até você e muito mais até a mim mesma. A única promessa que fiz, foi que no dia que eu me reencontrasse, eu jamais me perderia novamente. Isto já aconteceu. Vim te agradecer, sou uma peregrina. Poderia ter vindo de joelhos, mas acho que voar combina mais comigo.

Agora nossa paixão platônica se torna real. Realeza é palavra de ordem por aqui. Sinto-me a rainha dos meus sonhos da minha vontade e tem coisa mais libertadora do que isto? Obrigada por não ter me abandonado, sabemos quantas vezes a palavra que começa com d passou pela minha mente, mas nunca a deixei fazer o trajeto cabeça – coração. Porque este músculo sempre pulsou forte, intenso, vermelho. Se muitas vezes pareço uma ilha para os olhos alheios é porque preciso ficar um pouco só. Faz parte da reoxigenação. Mas apesar deste nosso formato, somos cosmopolitas, gostamos de gente. De todos os tipos. Alimentamos-nos de sorrisos, de histórias, de sensações... Aprendemos com este eterno encontro e desencontro, de milhares de chegadas e partidas a sermos uma porta escancarada para aqueles que ficam. E aqui estou eu.

Esta não é a Terra da Rainha. Esta é a terra da menina que um dia descobriu que os sonhos existem para nos mostrar daquilo do que somos feitos.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

O Tempo e Eu

Ontem eu e o tempo reafirmamos o pacto que selamos no ano passado. Regado a uma boa massa e vinho, revisamos as cláusulas e reajustamos algumas condições. Ficou determinado que eu tentarei não manipulá-lo (até porque é desperdício de energia) , estudarei os erros do passado para que finalmente eu desenvolva maturidade e a capacidade de espera.
Em contrapartida, o tempo vai continuar sendo generoso. Mantendo meu espírito jovem, os olhos de debutante, o coração amolecido e passional. O tempo prometeu passar rápido para as coisas que não precisam de apego, durar o tempo necessário para o que preciso aprender e demorar bastante nos momentos que jamais quero esquecer.

domingo, 29 de janeiro de 2012

Os Descendentes

Esqueci hoje no ônibus um cachecol que eu adoro, adoro muito principalmente pelo valor sentimental e simbolismo que ele tem para mim. Quando me dei contei que deixei ele em cima do banco, lembrei-me do filme Os Descendentes. Lembrei porque apesar de ser um ato banal, eu não queria me desfazer do cachecol e Os Descendentes (guardada as devidas proporções) trata exatamente sobre desapego. Este verbo tão conjugado por mim e por tantas pessoas e tão difícil de praticar. Mas o que me tocou, me levando a lágrimas, no filme (que cinematograficamente não é uma grande obra) é sempre a identificação que tenho com os protagonistas dos filmes do Alexandre Payne. Seus personagens, decidem, ou talvez seja o único meio que conhecem, tratar sempre de assuntos dolorosos, assuntos complicados, assuntos com certa carga de sentimentos (deles e dos outros), assuntos pesados, com humor, rindo de si mesmo e apesar de não saber direito como lidar, como resolver, indo às cegas, às tontas, de uma maneira torta, eles vão em frente tentando fazer o que eles acreditam que é o certo, nem que este “certo” esbarre na nossa natureza tão humana de sermos egoístas, apegados, confusos, cheios de cicatrizes...
No filme, o protagonista vive duas situações distintas. Uma em que o controle esta nas mãos dele e outra que ele não tem nenhum controle. E são sempre as situações que mostram a nossa impotência que nos trazem mais sofrimentos. A gente quer e quer muito que determinadas coisas nunca morram, mesmo que já não nos faça tanto bem, mesmo que para mantê-las vivas, a gente tenha que enfiar mais ainda o dedo na ferida. E o filme fala justamente disto e tenta nos ensinar que muitas vezes a gente não tem outra opção a não ser deixar as coisas irem, o que a gente pode e deve, é nos despedir da melhor forma possível e nos perdoar. Perdoar a nossa impotência, perdoar as coisas que “poderíamos” ter feito e não fizemos. E o tempo, sempre ele, se encarrega do resto.

domingo, 8 de janeiro de 2012

Bom Bocado

Foi assim que imaginei como deveria se chamar alguns deliciosos momentos da vida. Pequenos momentos. Com sensações grandiosas. A falta de urgência na vida, me fez ver que aquela história do pouco a pouco, das doses homeopáticas, de comer pequenas porções em 3 em 3 horas também sacia a fome.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Você Já se Apaixonou Hoje?

Devia fazer calor, pela blusa regata e mini-shorts que usava. Manhã de céu azulado, ela lembra bem, pois a altura que ostentava àquela idade era preciso erguer bem os olhos ao firmamento para não perder de vista o objeto desejado. Mesmo calçada com botas ortopédicas, ela corria sobre pedrinhas, que lhes causaram diversos arranhões e choros, atrás daquele objeto redondo que flutuava no ar, exibindo um certo brilho dependendo de onde o raio solar refletia, bailava por alguns instantes e se desfazia atingindo algum obstáculo físico ou apenas sumia no ar.


Naquele domingo ela se apaixonou pelas bolas de sabão do parque do Tororó, no seguinte, pelo efeito do vento nas paletas do cata-vento e tem sido assim pela vida adentro. Uma música, uma fotografia, uma lembrança, um gesto, um cheiro, uma respiração, um chamego, um estado de espírito, um movimento, um fenômeno natural, um fenômeno muito bem provocado, as coisas ilógicas, as horas não marcadas, partes do corpo, um corpo inteiro, pessoas, pessoas apaixonadas...


Apaixonar-se todos os dias, é oxigenar a alma-cabeça-coração. É alimentar a chama da vida. É a maneira que aprendi e escolhi viver hoje todos os outros dias da minha vida.





- Eu tenho medo de me apaixonar...

- E eu tenho medo de parar de me apaixonar.


sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Oração de Aniversário

Mesmo com o passar dos anos,
Que a menina que habita em mim continue caleidoscópica;
Que continue vendo o mundo em colorido, mesmo que a maioria das pessoas que habitam nele seja monocromática;
Que eu continue sendo surpreendida pelo esperado e mais ainda pelo inesperado;
Que eu me magoe menos,
E quando isto acontecer, que eu consiga fazer as pazes comigo mesma antes do dia terminar;
Que eu seja mais tolerante com as pessoas e principalmente comigo mesma;
Que e o tempo seja sempre o meu maior Mestre;
Que continue me apaixonando todos os dias;
Que continue sendo abençoada com pessoas que entram, que saem e, principalmente, que ficam na minha vida;
E que me proteja do meu maior medo: o de perder a capacidade de amar.

Que seja doce. Sempre.
Amém.

domingo, 27 de novembro de 2011

Adaptação

Há umas duas semanas atrás, eu pedi a ajuda de um dos meus gerentes num projeto novo do trabalho. Ele sentou na minha estação de trabalho e começou a esboçar a solução. Por ser canhota, uso o mouse do lado esquerdo. Ele ficava com os braços invertidos, usando o mouse e teclado, sugeri que puxasse o fio do mouse e o colocasse no lado direito e a resposta foi objetiva: “não precisa, eu me adapto as coisas.” Ele falou sem nenhuma arrogância, pelo contrário, numa naturalidade e pelo que eu conheço dele há quase 02 anos, isto é a mais pura verdade. Adaptar-se para ele é mais uma função do dia-a-dia, como comer, beber, respirar. Não há nada que solicitemos a ele, que ele não arrume um método de nos ensinar da forma que nos facilite e não da forma que ele faria.

Esta situação do trabalho me fez lembrar de uma árvore gigantesca que existe no meu caminho de casa ao metrô que faço quase todos os dias. Há muito tempo eu a tenho observado, principalmente durante as mudanças de estação. O cenário meio seco, com o fundo atrás todo cinzento no inverno, o tapete amarelo no chão ao seu redor na primavera e o seu verde reluzente desta semana.

Eis que paro para pensar no quanto algo que está imóvel tem a capacidade de reagir, de se adaptar às leis da natureza e às situações que o cerca. Meu corpo faz a mesma coisa. Na primeira noite que passei em SP, não consegui dormir, apesar de usar três edredons, devido ao “frio” de 21º C que me fazia bater os dentes. Hoje, eu praticamente durmo nua de tanto calor que sinto quando faz 21º C à noite.

Estamos o tempo todo fazendo isto. Nos adaptando, nos moldando, reagindo da maneira que sabemos às coisas que são inevitáveis e muitas vezes nem nos damos conta disto. E não vejo isto como algo ruim. Pelo contrário, esta característica já nasceu conosco, a gente que às vezes foge dela, no inevitável hábito de se manter na zona de conforto, de ficar no conhecido, na cabeça-dura e caminhando sempre pelos mesmos caminhos. É o gerente, a natureza e o meu corpo me respondendo a perguntas que ainda nem fiz.

Estamos quase no último mês do ano, estou aqui me preparando para montar a árvore de Natal e a atividade cerebral é sempre a mesma deste período, pensar em tudo o que aconteceu neste ano e acredito que foi o ano com a maior quantidade de situações novas, desconhecidas, rotineiras, desafiadoras, que me trouxe à tona diversas facetas minha que eu nem conhecia ou que estavam lá adormecidas.

Adaptar-se não é abrir mão do “seu jeito” de ser ou fazer as coisas. Adaptar-se é crescer. É expandir, criar e ganhar novas maneiras de fazer as coisas do nosso jeito.